quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Zuila Café


Surgiu do desejo de render-lhe homenagem, a Tia do Proprietário, com a proposta de ser um lugar calmo, para sentar e sentir-se em casa, tomar um bom café, ler um bom livro, lembrar-se do tempo em que se gastava tempo numa boa refeição e melhor: saber que estas não são coisas de antigamente e que podemos revivê-las agora.
Eu amei essa proposta, me senti super relax nesse ambiente, onde pude escutar uma boa música, e desconectar desse mundo da tecnologia, conversar, olho no olho, pelo menos naquela hora... 

Almoço : Fui com o tradicional prato da casa , 
Paraty composto por 
Espaguete , camarões salteados na manteiga e molho branco com limão siciliano .

Sobremesa : Bolo de chocolate com mousse de limão , sensacional !


Cafezinho com Licor 43 para finalizar esse almoço tão relax ...
Um pouco de História 

"A primeira lembrança que tenho de minha tia Zuila é a da senhora sentada em sua poltrona de vime, terço na mão, óculos sobre o nariz marcado pelo peso das lentes, cabelo branco que combinava com a cor clara de seus olhos azuis, medalha de prata na qual se via gravada a imagem de Nossa Senhora das Graças, pendendo de um cordão comprido que repousava sobre o vestido azul feito de um tecido estampado com discretos ramos florais de mesmo tom e que balançava abaixo do joelho, sob o vento bom, que corria na varanda da casa de número 1350, na rua Silva Paulet. Aquela senhora talvez não soubesse, mas os gestos simples que cultivou a vida inteira influenciaram seus sobrinhos e sobrinhos-netos que a visitavam corriqueiramente. 
Lia muito e mantinha, com zelo, sua antiga estante de livros, onde li pela 
primeira vez, o conto da Cinderela, quando criança. Nela também encontrei as belas crônicas da Fortaleza antiga no excelente Coisas que o tempo levou e, jáadulto, achei o livro, nunca visto antes, sobre a vida de São Francisco de Assis, O homem de Assis. 
O ar do ambiente sempre estava cheio de histórias. Muitos dos móveis, 
enxoval do casamento de seus pais (ela nasceu em 1915), remontavam uma época em que a família reunida sentava-se à mesa para as refeições. Ela sempre teve o que Rachel de Queiroz chamava de amor pelas coisas antigas. Guardava, com afeto, os retratos da família e dos amigos de longa data. Apenas dela escutei histórias que hoje já não se contam mais, como quando o bairro Aldeota era povoado de sítios e de casarões de veraneio, e as mocinhas iam caminhar no passeio público, acompanhadas pelo olhar preocupado dos pais à distância. 
Cozinhava muito bem e gostava de fazer potes de doces de goiaba, colhidas 
no antigo pé atrás da casa. Respeitava muitíssimo os horários das refeições, 
cuidava dos sobrinhos-netos quando doentes, tinha uma disciplina religiosa 
impecável, impunha respeito sem precisar usar de força. 
Aos 93 anos, sua partida foi tranquila assim como a casa onde viveu. Sua 
personalidade e seu exemplo inspiraram os seus, surgindo o Zuila Café ."


Zuila Café 
Rua Silva Paulet , 1460 
Fone: (85) 3224 1202


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